Logo do Site

antarticaPor Alexandre Soares Rosado

Pesquisadores do Instituto de Microbiologia, coordenados pelos professores Alexandre  Rosado e  Raquel Peixoto, realizam uma pesquisa sobre micro-organismos da Antártica, com o auxílio do Programa Antártico Brasileiro (Proantar).

As amostras foram isoladas de plantas vasculares (plantas com tecidos especializados para o transporte de água e seiva) e outros ambientes típicos da região.

Devido ao clima único, a Antártica possui ecossistemas terrestres e marinhos com micro-organismos que possuem características especiais como resistência a baixas temperaturas (psicrófilos). Outra propriedade já descrita é a alta resistência a radiações. Uma espécie de Deinococcus sp. isolada da Antártica pode suportar 5.000 vezes mais radiação do que qualquer outro micróbio conhecido. Com o auxilio da técnica de pirosequenciamento, milhares de sequências de DNA foram analisadas e muitas novas espécies descobertas, demonstrando a grande diversidade microbiana da Antártica. Parte desses resultados foi publicado na revista ISME Journal, que faz parte do grupo de publicações da Nature. Essa pesquisa comprova o grande potencial dessas amostras para estudos biotecnológicos. Micro-organismos psicrófilos têm grande aplicação em vários setores industriais como na produção de biosensores, enzimas, processos de biorremediação e na indústria de alimentos. Por produzirem substâncias bioestabilizadoras, podem ser utilizados na indústria de cosméticos e são fonte para pesquisa de novos antibióticos.

Leitura e links recomendados: 
http://www.nature.com/ismej/journal/v4/n8/full/ismej201035a.html 
http://www.nature.com/news/2011/110404/full/news.2011.207.html

Por Rafael Duarte

O controle global da tuberculose é dificultado por características próprias do agente etiológico Mycobacterium tuberculosis(MTB), o qual exibe um tempo de geração lento em meios de cultura sólidos. O diagnóstico precoce, fundamental para controle de qualquer doença infecciosa transmissível, é prejudicado também pela existência de métodos diagnósticos com baixa sensibilidade, particularmente na detecção da resistência a antimicrobianos e em pacientes com imunodeficiência. A complexidade dos métodos para diagnóstico laboratorial da tuberculose, os altos custos para métodos avançados com tempo de detecção menor e a necessidade de infraestrutura especializada, limitam o acesso e os efeitos diretos das medidas para controle da doença. Em países em desenvolvimento, devido à restrição de recursos em diferentes regiões, o diagnóstico ainda se baseia predominantemente na baciloscopia, caracterizada pela baixa sensibilidade.

Dentre as novas metodologias que aceleram o diagnóstico, aquelas envolvendo diagnóstico molecular avançado para tal finalidade, como Real-Time PCR, têm sido descritas como possíveis soluções para o controle da doença no mundo. Um dos métodos mais destacados, em fase de aplicação nos países em desenvolvimento, é o denominado Xpert MTB/RIF, comercializado pela empresa Cepheid. Tal metodologia consiste em um teste molecular para detecção de MTB e da presença de mutação que indique resistência a rifampicina diretamente a partir do escarro em um período máximo de somente 2h. Tal avanço envolve aplicação de equipamentos com pouca exigência de infraestrutura e espaço, além de um cartucho contendo todos os compartimentos e constituintes necessários para a extração de ácido desoxirribonucléico, reação de polimerização em cadeia e outros. Os estudos, até então realizados em países como Peru, África do Sul e Índia, indicam detecção de 98,2% dos pacientes com baciloscopia positiva e um aumento de 12,6% na detecção em pacientes com baciloscopia negativa. Estudos estão sendo realizados também no Brasil, inclusive no Laboratório de Micobactérias do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes. Dispomos de infraestrutura adequada para diagnóstico de tuberculose pulmonar ativa e estamos desenvolvendo colaboração com pesquisadores renomados do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho em estudos internacionais relacionados a ensaios clínicos para novos esquemas de tratamento da tuberculose. Com possíveis bons resultados e avanços nos investimentos em saúde, esperamos que o acesso a tais tecnologias possa chegar às unidades de diagnóstico de todo o país e favorecer toda a população para o efetivo controle da tuberculose no Brasil.

Leitura recomendada:

1: Miller MB, Popowitch EB, Backlund MG, Ager EP. 2011.Performance of Xpert MTB/RIFRUO Assay and IS6110 Real-Time PCR for Mycobacterium tuberculosis Detection inClinical Samples. J Clin Microbiol.
Link para o resumo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21849695

2: Blakemore R, Nabeta P, Davidow AL, Vadwai V, Tahirli R, Munsamy V, Nicol M,Jones M, Persing DH, Hillemann D, Ruesch-Gerdes S, Leisegang F, Zamudio C,Rodrigues C, Boehme CC, Perkins MD, Alland D.2011. A Multi-Site Assessment of the Quantitative Capabilities of the Xpert(R) MTB/RIF Assay. Am J Respir Crit Care Med. 
Link para o resumo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21836139

mosquito

Por Davis Ferreira e Luciana B. de Arruda

Entre os dias 19-21 de Setembro aconteceu no Hotel Intercontinental no Rio de Janeiro o Seminário Internacional de Dengue, que faz parte da campanha Rio Contra Dengue 2011/2012.

Lá estiveram presentes autoridades representantes do Governo, estado e município, com mais de 50 Prefeitos de municípios do Rio de Janeiro. Foram discutidas as estratégias do Governo para minimizar os efeitos de uma possível epidemia que poderá chegar em breve ao estado, assim como enfatizar a necessidade do engajamento e responsabilidade dos Prefeitos nesta luta. O indício de uma grande epidemia no verão de 2012 se deve, principalmente, a alguns fatos intensamente discutidos. Em primeiro lugar, a circulação do sorotipo 1 da dengue, com grande parte da população mais jovem susceptível à infecção. Em segundo lugar, a detecção recente da circulação da dengue tipo 4 em Niterói, ao qual praticamente toda a população está suscetível, gerando grande preocupação, caso o sorotipo se alastre pelo estado. Em terceiro lugar, os altos índices de infestação do vetor Aedes aegypti circulando por todo o estado do Rio. Existe grande expectativa em relação ao desenvolvimento de uma vacina contra dengue, entretanto, apesar de alguns testes clínicos estarem em fases avançadas, os mais otimistas falam em cerca de 5 anos até a implantação de uma vacina eficaz. Além disso, no caso de uma vacina bem sucedida, discute-se as dificuldades para obtenção e produção suficiente para cobrir toda a população. Paralelamente, alguns grupos têm estudado o efeito de substâncias com potencial atividade antiviral, que parece ser outro caminho promissor na batalha contra essa infecção. Enquanto tudo isto não acontece, temos que focar em alguns aspectos principais. Primeiramente, não podemos ter o número de óbitos que temos no Brasil. O óbito por dengue deve ser raro, e temos que nos empenhar para isto. Para que isso aconteça, precisamos não apenas treinar o trabalhador da área da saúde, mas também dar condições físicas e de logística para que o atendimento de qualidade seja realizado. A dengue é uma doença traiçoeira, às vezes, mesmo quando o paciente se sente bem, com a baixa da febre, é quando a doença pode evoluir rapidamente para o óbito. Temos também que manter as campanhas na mídia. Um estudo mostrou que a maioria das pessoas culpa o quintal do vizinho pelo alto índice de mosquitos em sua casa. Isso mostra que muito ainda precisa ser mudado quanto à educação da população em relação ao combate à dengue. Alguns cuidados devem ser enfatizados quanto à prevenção de focos do vetor:

1. Manter a caixa d'água totalmente vedada e virar os baldes com a boca para baixo;

2. Remover folhas, galhos e tudo que possa acumular água nas calhas;

3. Galões, toneis, poços, tambores e barris de água para consumo devem ser totalmente vedados;

4. Guardar os pneus sem água e em lugares cobertos. Garrafas devem estar vazias e sempre com a boca para baixo;

5. Manter ralos limpos e com uma tela para não formar criadouros;

6. Verificar se as bandejas de ar-condicionado estão limpas e sem acúmulo de água. Bandejas de geladeira também podem se tornar criadouros para o mosquito;

7. Encher e verificar semanalmente vasos sanitários fora de uso ou de uso eventual;

8. Esticar bem as lonas usadas para cobrir objetos ou entulho para não formar poças d'água;

9. Limpar e tratar piscinas e fontes com produtos químicos específicos;

10. Plantas como bambu, bananeiras, bromélias, gravatás, babosa, espada-de-são-jorge e outras semelhantes também podem acumular água.

(Fonte: Ascom SES)

Nós, do Instituto de Microbiologia, estaremos nos empenhando e fazendo nossa parte, principalmente na área da educação de nossos alunos, no sentido de propagar o conhecimento e formar combatentes nesta guerra contra a dengue.

Essa semana haverá ainda, em Minas Gerais, o encontro do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue (INCT DEN), do qual fazem parte professores e pesquisadores do IMPG, diretamente associados a outros grupos de pesquisa em dengue no país. Acreditamos assim que o esforço contínuo para o desenvolvimento de pesquisa básica na área, no intuito de caracterizar células-alvo da infeção, as alterações celulares e moleculares que ocorrem no hospedeiro, e como a resposta do hospedeiro participa no controle ou exacerbação da doença sejam essenciais para a descoberta de novos alvos terapêuticos e desenvolvimento de vacinas eficientes.

  • sbctacnpqfaperjcapespetrobrassbm
  • rede de tecnologiafinep 2agencia de inovacaosebraeembrapanpi
  • projeto coralperiodicosCurta Logo Print 2cienciacommicrobios
Topo