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0001Por Dayanne da Rocha de Menezes

A onicomicose conhecida, popularmente, como micose de unha, é a doença mais comum das unhas e é causada, em sua maioria, por fungos dermatófitos e espécies da levedura Candida sp.  Em ambientes úmidos e quentes, os fungos se reproduzem rapidamente e podem dar origem a um processo infeccioso. A gravidade e a suscetibilidade para contrair estas infecções dependem de fatores que incluem o histórico familiar da doença, trauma prévio e a  condição geral de saúde e imunológica. A micose de unha é uma doença de incidência considerável, acometendo cera de 20% da população acima dos 40 anos, sendo especialmente maior entre mulheres devido a fatores de risco como freqüentar salões de beleza e maior exposição dos pés pelo uso de calçados abertos. Cerca de 50% das pessoas com idade superior a 60 anos sofrem desse mal, devido a queda da imunidade devido a doenças e ingestão de medicamentos que debilitam o organismo.  As manifestações mais comuns da onicomicose são o deslocamento da borda livre, provocando acúmulo de material debaixo da unha, deformação da unha  que ficam frágeis e quebradiças, crescimento irregular tornado-se ondulada, aumento da espessura da unha e endurecimento e  manchas brancas na superfície (figura 2)

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Uma pessoa pode contrair uma onicomicose por diversas formas, podendo ser a partir  do meio ambiente, de animais, outras pessoas, lixas de unha, alicates e  tesouras contaminadas. O solo é uma poderosa fonte de micro-organismos e  por esse motivo a onicomicose é comum em manipuladores de frutas e jardineiros. 

O ambiente úmido, escuro e aquecido, encontrado dentro dos sapatos e tênis, também favorece o seu crescimento de fungos. Além disso, a queratina, proteína que forma as unhas, é fonte de alimento para este micro-organsimos.  O tratamento das micoses de unha pode ser  demorado e  depende da eliminação da unha contaminada. São raros os casos de crianças acometidas pela onicomicose, talvez pelo rápido crescimento das unhas nesta idade. Sabendo um pouco mais sobre as possíveis causas e características das desagradáveis onicomicoses, quando suas unhas apresentarem alterações que  desperte a suspeita de micose, procure um médico. Ele lhe indicará o tratamento adequado.

Referências e literatura recomendada:

Dermatologia.net. Doenças da pele. Disponível em: http://dermatologia.net/novo/base/doencas/onicomicose.shtml. Acessado em: 06/11/2012

Tchernev G, et all. Onychomycosis: modern diagnostic and treatment approaches. 2012 Sep 30.

Uci.farma. Onicomicose. Disponível em: http://www.uci-farma.com.br/saude_e_qualidade_de_vida/id:71. Acessado em: 19/11/2012

Vale N. Minhavida saúde, alimentação e bem estar. Disponível em: http://www.minhavida.com.br/saude/materias/10835-conheca-4-verdades-e-5-mitos-sobre-micoses-de-unhas. Acessado em: 06/11/2012

Figura 1 - Placa supragingival evidenciada. Biofilme polimicrobiano. http://bit.ly/WiXRL0Por  Talita Lourenço

Figura 1 - Placa supragingival evidenciada. Biofilme polimicrobiano. http://bit.ly/WiXRL0Estima-se que o corpo humano seja composto por mais de 1014 células das quais 90% são células microbianas. Esse “microbioma humano” apresenta uma atividade metabólica similar ao fígado e é fundamental no desenvolvimento e homeostasia do organismo humano. Apesar do íntimo contato e translocação de micro-organismos entre as diversas superfícies do corpo humano, as microbiotas de diferentes regiões do corpo são distintas.  Este fato sugere que a propriedades específicas de cada  um destes ambientes  determina   que microbiota é capaz de se estabelecer nessa região.

A cavidade oral apresenta uma das mais diversas e complexas microbiotas do organismo humano, resultante da grande variedade de determinantes ecológicos ali presentes, sendo o maior reservatório de micro-organismos para contágio e um sistema aberto para contaminação. Essa microbiota encontra-se normalmente em harmonia com o hospedeiro, sendo extremamente importante na proteção contra patógenos externos com produção de bacteriocinas, surfactantes e H2O2 e por serem adaptadas ao ambiente,  levam vantagens  na competição por nutrientes  em relação  a micro-organismos externos  e  auxiliam no desenvolvimento do sistema imune mucoso por reações cruzadas, como os anticorpos contra o Streptococcus pneumoniae  que reagem cruzadamente com pneumococo. Porém alterações locais e/ou sistêmicas como diminuição da saliva, alteração da dieta e antibióticos, podem resultar no desequilíbrio dessa relação e na manifestação clínica de doenças.

Atmosferas anaeróbias e aeróbias, ambientes com variações de pH, diferentes superfícies de contato, além de características anatômicas tornam a cavidade oral propícia para formação de biofilme, comunidade polimicrobiana embebida em uma matriz extracelular de componentes orgânicos e inorgânicos, conferindo proteção contra defesas do hospedeiro, antimicrobianos e facilitando a comunicação intermicrobiana. Esse biofilme pode apresentar características patogênicas dependendo da sua composição e localização. Por exemplo, quando essa estrutura é encontrada nos dentes, é chamada de cariogênica, apresentando bactérias capazes de produzir ácidos que diminuem o pH e levam a desmineralização do dente. Já quando encontradas nos tecidos moles como a gengiva, é chamado de periodontopatogênico, tendo bactérias capazes de destruir os tecidos de sustentação do dente. Ambos os casos podem ser evitados com uma boa higiene oral, evitando seu estabelecimento e o desenvolvimento dessas espécies patogênicas.

Esse balanço entre a microbiota normal e contaminação externa, também é muito importante para evitar manifestações orais de doenças sistêmicas, como a candidíase, e doenças sistêmicas que já foram relatadas com associação a patologias orais, como endocardite e artrite reumatóide devido a produtos lançados na corrente sanguínea ou bacteremia numa simples escovação, uso do fio dental e procedimentos cirúrgicos. Segundo uma publicação de 2010, o microbioma oral pode ser importante no câncer e outras doenças crônicas, através do metabolismo direto de carcinógenos químicos e através de efeitos sistémicos inflamatórios.

Por isso a higiene bucal é essencial, mantendo os níveis da microbiota normal e impedindo a contaminação com patógenos. Escovação, fio dental, enxaguatórios e uma visita regular ao dentista diminui em até 70% a incidência de doenças bucais, evitando também doenças sistêmicas.

Referências Bibliográficas:

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MAGER, D. L., XMENEZ-FYVIE, L. A., HAFFAJEE, A. D., SOCRANSKY, S. S. DISTRIBUTION OF SELECTED BACTERIAL SPECIES ON INTRAORAL SURFACES. J. CLIN. PERIODONTOL. 2003, 30,644-654.

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Rosebury, T. 1966. Microbiology. J Am Dent Assoc. 72 (6):1439-47.

Socransky SS, Haffajee AD. Periodontal microbial ecology. Periodontol 2000 2005: 38: 135–187.

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Wilson M. Microbial inhabitants of humans. Their ecology and role in health and disease. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2005.

Por Ana Maria Nunes Botelho

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Mascote da famíliaQuem não gosta de um animalzinho de estimação, um mascote amigo que lhe faça companhia em todos os momentos? Em muitos casos, os animais são considerados verdadeiros membros da família, recebendo tratamento digno de um ser humano qualquer (figura 1). Dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos para Animais de Estimação (Anfalpet) apontam que no Brasil, o gasto médio mensal em cuidados com animais de estimação chega a R$350,00. Este dado reflete a importância que estes bichinhos possuem no cenário geral da família brasileira. E não é para menos. Nada como aquele olhar carente ao chegarmos em casa, aquele rabo abanando ao ouvir a nossa voz ou aquele aconchego no sofá quando nos sentamos para assistir televisão. No entanto, alguns animais podem ser portadores de micróbios frequentemente associados a infecções em seres humanos e alguns hábitos adotados pelos mais apegados a estes bichinhos podem ser responsáveis por esta transmissão.

doencaFurúnculo causado por Staphylococcus aureusAinda de acordo com dados da Anfalpet, existem mais de 33 milhões de cães espalhados pelos lares brasileiros. Tão queridos e adorados por pessoas de todas as idades, no entanto alguns micróbios podem ser transmitidos por essas doces criaturas. Muitos cientistas já mostraram que grande parte da população canina é colonizada por uma bactéria chamada Staphylococcus aureus, ou seja, esta bactéria vive nas mucosas destes animais, sem lhes causar nenhuma doença. No entanto, eventualmente este micróbio pode ser transmitido para seus donos, causando infecções como impetigos, furúnculos e outras doenças de pele (Figura 2). Em alguns casos mais raros, estas infecções podem se espalhar, levando a quadro mais graves.

Figura 3: Carrapato, transmissor da BorrelioseEstes adoráveis animais podem ainda ser responsáveis por doenças transmitidas por carrapatos (Figura 3). Estes parasitas, 

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frequentemente encontrado em animais domésticos, podem causar uma série de doenças, dentre as quais podemos citar a Borreliose. Esta doença, também conhecida por Doença de Lyme, é causada pela bactéria Borrelia burgodorferi e os sintomas variam desde os mais leves, como os de uma gripe, podendo evoluir para quadros mais graves, com comprometimento das articulações, do coração e até  neurológico.

Outros animais comumente encontrados compondo o cenário da família brasileira são os gatos. Do mesmo modo que os cães, gatos também podem ser reservatório de alguns micróbios que podem causar infecções nas pessoas que convivem com estes felinos. Uma dessas doenças é a toxoplasmose, que é provocada por um protozoário, o Toxoplasma gondii, que infeta os felinos que comem aves, ratos ou carne contaminada. Os gatos são os hospedeiros deste microrganismo e sua transmissão acontece através do contato com as fezes do animal. Em mulheres grávidas, os cuidados devem ser dobrados, já que esta doença pode por em risco a gestação.

Figura 4: Gânglios aumentados em função do desenvolvimento da doença da arranhadura do gato.carocoOs gatos também são causadores de um quadro conhecido como doença da arranhadura do gato. Como o próprio nome já diz, esta doença está relacionada com arranhaduras ou mordidas dos felinos. É uma doença bacteriana causada pela Bartonella henselae, que afeta os gânglios linfáticos próximos à área arranhada ou mordida por um gato. Uma a duas semanas após a arranhadura ocorre inflamação no local, aumento dos gânglios próximos (Figura 4), febre e fraqueza. Em alguns casos pode haver febre persistente e complicações como inflamação no coração, na retina, no fígado e transtornos do sistema nervoso central.

Pequenos roedores, répteis e aves também são mascotes frequentes e estes bichinhos podem ser portadores de uma bactéria chamada Salmonella. A Salmonelose, causada por este micróbio, tem como sintomas a diarréia intensa, febre, cólicas intestinais e outros sintomas abdominais, podendo evoluir para desidratação, septicemia e meningite, muitas vezes se fazendo necessária a hospitalização.

Apesar de todos os perigos associados a esses animais, o carinho e o companheirismo que encontramos nesses bichinhos vale qualquer risco. Alguns cuidados, no entanto, podem ser tomados para diminuir os riscos de uma infecção (Figura 5). Evite contato direto com fezes, urina ou saliva dos animais. Mantenha-os sempre limpos e livres de parasitas como pulgas e carrapatos e diante de algum incidente como mordidas, picadas ou arranhões, limpe o local imediatamente. Com estas precauções, os riscos de aquisição de uma infecção através do seu animal de estimação diminuem bastante e assim fica mais fácil de amar e cuidar desses animaizinhos.

cao piscinaFigura 5: Alguns hábitos devem ser eliminados para diminuir o risco de contaminação cruzada

Referências Bibliográficas: 

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/infomoney/2012/03/20/brasileiro-gasta-cerca-de-r-350-ao-mes-em-cuidados-com-animais-de-estimacao.jhtm 

Weese, J. T. Methicillin-resistant Staphylococcus aureus in animals. ILAR J, 51 (3), 233-244, 2010.

Bramble, M.; Morris, D.; Tolomeo, P. & Lautembach E. Potential hole of pet animals in household transmission of methicillin-resistant Staphylococcus aureus: a narrative review. Vector Borne Zoonotic Dis. 11(6), 617-620, 2011.

Little, S. E.; Heise, S. R.; Blagburn, B. L.; Callister, S. M. & Mead, P. S. Lyme borreliosis in dogs and humans in the USA. Trends Parasitol. 26(4), 213-218, 2010.

Elmore, S. A.; Jones, J. L.; Conrad, P. A.; Patton, S.;  Lindsay, D. S. &  Dubey, J. P. Toxoplasma gondii: epidemiology, feline clinical aspects, and prevention. Trends Parasitol. 26(4), 190-196, 2010.

Klotz, S. A.; Ianas, V. & Elliot, S. P. Cat-scratch disease. Am. Fam. Physician. 83(2), 152-155, 2011.

Finley, R.;Reid-Smith, R. &Weese J.S. Human health implications of Salmonella-contaminated natural pet treats and raw pet food. Clin Infect Dis.42(5),686-691, 2006.

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