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Euplotes sp e Paramecium sp Créditos: Inácio Domingos da Silva Neto

Por Marcio Maciel

Os protistas são organismos eucariontes, unicelulares, autótrofos ou heterótrofos. Podem ser classificados basicamente de acordo com o tipo de organelas locomotoras em: Rizópodes ou Sarcodíneos, Ciliados, Flagelados ou Mastigóforos e Esporozoários (que não apresentam estruturas para locomoção). Esses organismos obtiveram grande sucesso na colonização de vários habitats, sendo a maioria de vida livre e encontrada em ambientes como: solo úmido, água doce, marinhos, corpos de água salobra, tanques de bromélias, musgos, e também em ambientes artificiais, como em tanques de estação de tratamento de esgoto.

Hoje em dia o mundo inteiro se preocupa com o grande consumo dos recursos hídricos e a falta de tratamento das águas. O lançamento de esgoto in natura representa uma das principais fontes de poluição nos corpos d’água. A disposição adequada dos esgotos é essencial para a saúde pública e para a proteção do meio ambiente. Dentre os sistemas de tratamento de esgoto existentes, podemos destacar o tratamento biológico por lodos ativados. Esse sistema é amplamente empregado devido à eficiência alcançada associada à pequena área de implantação requerida, quando comparado com outros sistemas de tratamento. O processo de lodos ativados consiste em submeter esgotos brutos ou pré-decantados à aeração artificial em unidades de tratamento denominadas tanque de aeração. Esta aeração artificial pode ser promovida tanto por insuflação de ar comprimido no interior do tanque quanto pela agitação da sua superfície líquida, para que possa ser dissolvido o oxigênio atmosférico e impedir que as partículas em suspensão se depositem no fundo do tanque de aeração. Em seguida, o efluente é encaminhado para o decantador secundário, onde ocorre a sedimentação devido a ação dos micro-organismos, principalmente, os protistas ciliados.

Microbiologia do Lodo Ativado

Bactérias e protistas são os principais micro-organismos presentes no lodo ativado, sendo eventualmente encontrados outros organismos como micrometazoários. Os protistas ciliados são importantes indicadores da eficiência do processo de clarificação do esgoto, desde então, tem sido descritas associações entre desempenho da planta de lodo ativado e comunidade desses micro-organismos. Em estações de tratamentos por lodos ativados, os ciliados são sempre os mais dominantes, embora se observe também flagelados e amebas. A ocorrência e abundância de algumas espécies de protistas podem variar de acordo com a operação da estação. Quando o sistema opera com altas cargas orgânicas de afluentes ocorre redução na densidade dos protistas ciliados e predomínio de flagelados e amebas, e o efluente final mostra-se de péssima qualidade.

Os ciliados são de grande importância para verificar a eficiência no processo de tratamento de esgoto. Contudo, a falta de pessoas especializadas na identificação desse grupo de protista e, a falta de um guia com as principais espécies indicadoras de qualidade do esgoto é um problema ainda negligenciado.

micromundo 1

Referências:

Curds, C.R. 1992. Protozoa and the water industry. Cambridge University press. Cambridge. 121p.

Siqueira de Castro, I.C.V; Da Silva-Neto, I.D, 2009. Morfologia de Ciliados Haptoriais (Protista: Litostomatea) Encontrados em uma Estação de Tratamento de Esgoto da Cidade do Rio de Janeiro, RJ. Revista Brasileira de Zoociências VOL. 11, Nº 3

capaO Trabalho  publicado no periódico Current Opinion  in Microbiology intitulado  “Vesicular mechanisms of traffic of fungal molecules to the extracellular space” dos autores Marcio L Rodrigues,  Anderson J​. Franzen, Leonardo Nimrichter e Kildare Miranda,  tem  a foto do modelo da formação da vesícula, como capa desta edição.​  ​

Marcio L Rodriguese  Leonardo Nimrichter são pesquisadores do Instituto de Microbiologia.

Referencia: Current Opinion in Microbiology 2013, 16:414–420

Por Igor de Almeida Rodrigues

A utilização de produtos naturais com propriedades terapêuticas é tão antiga quanto a espécie humana e, por um longo tempo, produtos de origens mineral, vegetal e animal foram as principais fontes de medicamentos utilizadas por diversos povos. A prática de utilização de produtos naturais é conhecida como medicina tradicional. A recente valorização da medicina tradicional se deve, em parte, ao reconhecimento da sabedoria indígena, à incorporação de algumas plantas e seus extratos na farmacêutica, à necessidade do cuidado à saúde ser acessível a todos e à percepção de que produtos naturais seriam mais seguros e eficazes do que os medicamentos produzidos farmacologicamente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a medicina tradicional pode ser definida como a soma total das práticas baseadas em teorias, crenças e experiências de diferentes culturas e tempos, muitas vezes inexplicáveis, utilizadas na manutenção da saúde, assim como na prevenção, diagnóstico, tratamento e melhora de enfermidades. O papel crucial que a medicina tradicional exerce no cuidado à saúde de grande parte da população que vive em países em desenvolvimento é reconhecido mundialmente. De fato, por séculos, a medicina tradicional era o único sistema de cuidado à saúde disponível para a prevenção e tratamento de doenças em diferentes culturas.

Baseadas na medicina tradicional, diversas drogas foram descobertas através de estudos etnofarmacológicos, que levam em consideração o conhecimento popular sobre o uso terapêutico de produtos naturais. Medicamentos hoje produzidos em laboratório foram descobertos em planas, tais como o ácido acetilsalicílico (Filipendula ulmaria), a digoxina (Digitalis lanata), morfina (Papaver somniferum), e a quinina (Cinchona pubescens). É curioso notar que boa parte das drogas utilizada clinicamente para o combate a mico-organismos infecciosos é derivada de produtos naturais. A quinina e a cloroquina (C. pubescens) e a artemisinina (Artemisia annua) são importantes compostos antimalária, doença causada pelo protozoário Plasmodium falciparum. Já a emetina, composto obtido das raízes de Cephaelis ipecacuanha, é um potente agente no combate a Entamoeba histolytica, protozoário causador da amebíase. Dentre os produtos naturais, as plantas são certamente uma importante fonte de substâncias candidatas a novas drogas. Dados da OMS mostram que cerca de 25% das drogas prescritas mundialmente vêm das plantas e, das 252 drogas consideradas como básicas e essenciais pela OMS, 11% são exclusivamente originárias de plantas e um número significativo são drogas sintéticas obtidas a partir de precursores naturais

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Figura 1. Artemisia annua (A) e seu composto bioativo artemisinina; Cephaelis ipecacuanha (B) e seu composto bioativo emetina.

A prática da medicina tradicional pode, de fato, representar um futuro promissor no desenvolvimento de medicamentos. Ainda, a análise da atividade farmacológica de diversos produtos naturais pode tornar possível o desenvolvimento de terapias de baixo custo a serem utilizadas em regiões economicamente desprivilegiadas. Contudo, cabe dizer que na ausência de base científica tais práticas podem gerar sérios danos à saúde. O uso abusivo e inadvertido de plantas medicinais é citado hoje como um importante problema de saúde para as populações, em particular por sua toxidez.

Bibliografia:

DE SOUZA, A. C. et al. Melissa officinalis L. essential oil: antitumoral and antioxidant activities. The Journal of Pharmacy and Pharmacology. 2004. v. 56: 667-681.

Elvin-Lewis, M. Should we be concerned about herbal remedies. Journal of Ethnopharmacology. 2001. v. 75: 141-164.

Esquenazi, D. et al. Antimicrobial and antiviral activities of polyphenolics from Cocos nucifera Linn. (Palmae) husk fiber extract. Research in Microbiology. 2002. v. 153: 647-652.

Firenzuoli, F. & Gori, L. Herbal medicine today: clinical and research issues. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine. 2007. v. 4(S1): 37–40.

RATES, S. M. K. Plants as source of drugs. Toxicon. 2001. v. 39: 603-613.

WHO. Traditional medice. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs134/en/ . Acesso em 12 de agosto de 2013.

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