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produtossimbioticos 2Por Larissa Cavalcanti

Matéria escrita na disciplina de extensão de integração acadêmica do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia.

Já é amplamente estabelecido que o intestino, além de outras partes do corpo humano, é habitado por diferentes populações microbianas caracterizando a chamada microbiota intestinal. Os microrganismos que compõem a microbiota intestinal sobrevivem harmonicamente com o ser humano e são importantes para a manutenção e modulação do intestino do hospedeiro.
Os simbióticos são produtos alimentares que combinam probióticos – suplemento alimentar microbiano vivo – e prebióticos – componentes alimentares não digeríveis –, atuando sobre a microbiota intestinal para beneficiar a saúde do indivíduo. Como exemplos de simbióticos temos: iogurtes, bebidas lácteas fermentadas, suplementos alimentares, fármacos, sucos de frutas e legumes fermentados.
Simbióticos contém microrganismos, como algumas espécies bacterianas dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium e leveduras, como Saccharomyces boulardii, combinados a carboidratos, como inulina e fruto-oligossacarídeos. Essa combinação resulta em efeitos importantes para o equilíbrio e bom funcionamento do intestino, capazes de estimular seletivamente a proliferação e/ou atividade microbiana no local. Isso coopera para uma colonização da microbiota intestinal por microrganismos benéficos, diminuindo riscos de infecções por patógenos o que pode causar doenças. Esses produtos também ajudam a melhorar a absorção de nutrientes pelo intestino, aumentam produção de vitaminas e enzimas digestivas, diminuem quantidade de colesterol no sangue, contribuem para a ação sistema imunológico, podem ser utilizados no tratamento de diarreias e até prevenir câncer de cólon.
Dessa maneira, esses produtos simbióticos que são acessíveis e, muitas vezes, presentes no dia a dia das pessoas podem ser grandes aliados contra distúrbios, não apenas intestinais, favorecendo expressivamente a saúde e o bem-estar diário de cada um.

Referências bibliográficas: 
OLIVEIRA, Larissa de. Probióticos, prebióticos e simbióticos: definição, benefícios e aplicabilidade industrial. Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas, Minas Gerais, 2014.

Probióticos, Prebióticos e Simbióticos. Revista Funcionais e Nutracêuticos, São Paulo, n°. 2, p. 55-62.
Dermus. Disponível em: <http://www.dermus.com.br/noticias/naturais/alimentos-probioticos-prebioticos-e-simbioticos/>, 2015.
VIEIRA, Vanessa. Disponível em: < http://vsvnutri.blogspot.com.br/2012/09/alimentos-simbioticos-probioticos.html>, 2012.

tuberculosePor Patrícia Batista Rocha

Matéria escrita na disciplina de extensão de integração acadêmica do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia

A tuberculose é doença muito prevalente e com altas taxas de incidência no Brasil. Seu agente etiológico é o Mycobacterium tuberculosis, uma bactéria em formato de bacilo, de difícil eliminação devido a sua parede celular ser composta por ácidos micólicos. Estes ácidos graxos de cadeia longa formam uma barreira que dificulta a penetração e atuação de medicamentos para combater a infecção.

Esse microrganismo atinge principalmente os pulmões, onde são interiorizados por macrófagos, mas devido aos fatores de virulência do proprio microrganismo, essas células de defesa não conseguem eliminá-lo. Esse quadro vai gerar a formação de granulomas, numa tentativa de contenção do microrganismo naquele local. Pode afetar também gânglios, rins, ossos e meninges.

Os sintomas da tuberculose pulmonar são tosse com catarro por mais de 3 semanas, febre, sudorese noturna, e emagrecimento. Como é uma doença imunopatológica, as pessoas mais vulneráveis a ter tuberculose de uma forma mais grave são aquelas que apresentam alguma imunodeficiência ou são imunocomprometidas, como é o caso das pessoas com AIDS, que tem redução de células de defesa chamadas linfócitos T CD4, o que deixa o organismo mais exposto e suscetível a infecções. Logo, crianças soropositivas ou com sinais de AIDS não podem tomar a vacina BCG, que é a principal forma de prevenção da doença.

O tratamento para tuberculose é baseado em 2 fases: a fase intensiva, onde são  utilizadas os antibióticos isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol, por 2 meses; e a fase de manutenção (subsequente aos 2 meses da fase intensiva) que consiste no uso de rifampicina e isoniazida.

A tuberculose é uma doença que tem distribuição mundial.  A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou a TB (tuberculose) em estado de emergência.  1/3 da população  esta infectada pelo M. tuberculosis, o que corresponde a cerca de 2 bilhões de pessoas. Deste total, 8 milhões evoluem para a doença e 2 milhões podem vir a óbito a cada ano. Atualmente, o Brasil ocupa o 17º lugar entre os 22 países que  somados são responsáveis  por 80% do total de casos da doenca. Em 2013, foram registrados 73692 casos novos de tuberculose, sendo 503 casos de TB multi- resistentes a drogas. Nesse mesmo ano, o Brasil teve 4557 óbitos por tuberculose, o que equivale a 2,3 óbitos/100 mil habitantes, sendo o risco 3 vezes maior em homens do que em mulheres.

Um dos fatores que contribuem para a situação do Brasil é a reinfecção por conta do abandono de tratamento: ao final dos 2 meses da fase intensiva, o paciente sente uma melhora e não dá continuidade ao tratamento, o que leva ao surgimento de cepas resistentes a antibióticos. Casos hospitalares e carcerários também contribuem para o aumento da resistência aos medicamentos, o que nos leva a pensar em outro fator contribuinte: a aglomeração de pessoas nos centros urbanos e comunidades carentes (condição sanitária precária e moradias próximas), que facilitam a transmissão do patógeno que se dá por aerossóis, contato com pessoas contaminadas. Essa é uma realidade muito bem retratada em cidades do Sudeste brasileiro, como Rio de Janeiro.

Para reduzir o número de casos e óbitos por tuberculose no Brasil, foram estabelecidas algumas medidas:

  • Foi criado o Programa Nacional de Controle, que visa a integração do controle de TB com a atenção básica, garantindo a efetiva ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento;
  • Foi elaborado Plano Estratégico para o Controle da Tuberculose, Brasil 2007-2015
  • Foi elaborado em 2011, pelo Ministério da Saúde, o Manual de Recomendações Para o Controle de Tuberculose no Brasil;
  • Em 2012, criou-se o Grupo de Trabalho de Tuberculose no âmbito do MERCOSUL (GT-TB/MERCOSUL), que identifica e analisa pontos como exames laboratoriais, vigilância epidemiológica, identificação sintomática, entre outros.

Então, embora as taxas de incidência e de mortalidade por tuberculose no Brasil ainda sejam altas, elas têm tido um queda de modo gradual nos últimos anos, devido ao impacto causado por todas essas estratégias e medidas adotadas.

 

Referências:

http://revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=229

http://revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=230

http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/tb/mat_tec/tb09_nt_adulto_adol.pdf

http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=939

http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/outubro/07/tuberculose-mercosul-6out15-web.pdf

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/tuberculose

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ProgramaTB.pdf

http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/TB/mat_tec/manuais/MS11_Manual_Recom.pdf

http://www.paho.org/bra/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=927&Itemid=423

http://www.scielo.br/pdf/rsp/v44n1/22.pdf

http://www.uff.br/labac/Micobacterias_Vet.pdf

http://www.ibb.unesp.br/Home/Departamentos/MicrobiologiaeImunologia/aula_mycobacterium.pdf

bacteriasPor Juliana Souza
Matéria escrita na disciplina de extensão de integração acadêmica do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia.

Elas não são apenas vilãs!
Parte das bactérias conhecidas e estudadas produzem genes que codificam fatores de virulência, que fornecem a elas melhores mecanismos de invasão, infecção e produção de toxinas que alteram o metabolismo das células animais, gerando danos aos tecidos. Estes micro-organismos ganham entrada no corpo humano através das mucosas, da inalação, de lesões na pele, da utilização de próteses e de procedimentos hospitalares invasivos. Em casos mais graves, ao atingirem a corrente sanguínea, elas se disseminam rapidamente pelo organismo, podendo acometer inclusive o cérebro, os pulmões, o coração e outros órgãos, que têm, assim, o seu funcionamento gravemente prejudicado. Por essas e outras razões, quando se fala em bactérias no geral, a reação da maioria das pessoas é de repulsa. Contudo, este é um pensamento errôneo! O ser humano não fica doente a todo momento, e isso se deve não somente à ação direta do sistema imune, como também à presença da microbiota residente. Este termo se refere à grande população fixa de micro-organismos (principalmente bactérias) presente em determinados locais do organismo animal, como pele, mucosas e trato digestivo.

A microbiota residente
O homem é composto por mais células procarióticas do que eucarióticas (cerca de cem vezes mais) por conta da presença da microbiota. Esta é adquirida no momento do nascimento por parto normal, em que o bebê recebe as bactérias da microbiota do canal vaginal da mãe. A partir daí, ele passa a entrar em contato com o ambiente externo, recebendo bactérias presentes no local do nascimento e também através do contato com médicos, enfermeiros e, principalmente, com seus pais. Bebês que nascem por parto cesariano adquirem primeiramente as bactérias do ambiente hospitalar, perdendo a então a sua primeira e mais importante forma de proteção, já que esta pode protegê-los mais eficientemente contra uma possível invasão de micro-organismos virulentos com a formação dessa “capa” bacteriana sobre o corpo do recém-nascido, principalmente pelo fato de bebês não possuírem ainda o sistema imune desenvolvido. As bactérias, então, se aderem aos órgãos e vão aumentando em número e em diversidade. Com isso, a microbiota residente vai sendo estabelecida e modificada, de acordo com o crescimento da criança.
A microbiota é pessoal: cada indivíduo possui um aporte distinto de bactérias. Ela tem extrema importância por ocupar todo o espaço que poderia ser tomado por bactérias e outros micro-organismos virulentos e produzir substâncias microbicidas, impedindo a adesão e a colonização dos patógenos no hospedeiro. Além disso, a microbiota estimula a ativação do sistema imune para que o número dessas bactérias se mantenha sob controle e, no trato intestinal, ajuda na metabolização de nutrientes obtidos na alimentação, para que sejam absorvidos e bem aproveitados pelo organismo.
A microbiota, principalmente a intestinal, pode sofrer desequilíbrios, por exemplo, na administração de antibióticos e em casos de imunossupressão. Nesses casos, a ingestão de alimentos probióticos auxilia na reposição dessas bactérias, como o leite fermentado. Estes vão repor a microbiota, fornecendo uma proteção temporária ao trato intestinal até que as fixas consigam novamente se proliferar e atingir a quantidade ideal.
Concluindo, o ser humano é habitado por bactérias desde os seus primeiros segundos de vida, mesmo sem estar doente, e este fato comprova, então, que as bactérias são fundamentais para o equilíbrio do nosso organismo, principalmente para o sistema digestivo.

Referências:
http://www.humanasaude.com.br/noticias/bacterias-sao-fundamentais-para-equilibrio-do-corpo,17158
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/bacterias_placentarias_poderiam_moldar_a_saude_humana.html
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/a-cura-pelas-bacterias
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgGqEAK/fatores-virulencia-toxinas
http://www.icb.usp.br/bmm/mariojac/arquivos/Aulas/Microbiota_residente.pdf

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