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15 09 Micro Autoimune graduacaoPor Letícia Martimiano

Aluna do curso de graduação em Ciências Biológicas Microbiologia e imunologia, 5º período. Matéria escrita na disciplina de extensão de integração acadêmica do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia. Creditação da extensão no Instituto de Microbiologia.

Câncer é o nome utilizado para se referir a um conjunto de mais de cem doenças que possuem como características comuns o crescimento celular anormal e o potencial de invasão a outras partes do corpo, processo denominado metástase. Por terem esse crescimento desordenado com uma divisão rápida, essas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, levando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas), caracterizando assim, um tumor maligno. Já no caso de um tumor benigno, também há uma hiperproliferação celular, porém elas não possuem a capacidade de invasão, sendo assim, raramente causam risco de vida.
As causas do câncer podem ser tanto externas quanto internas ao organismo, podendo variar muito. Entre elas estão os hábitos e costumes próprios do indivíduo (fumo, drogas), fatores ambientais (exposição excessiva ao sol), além da sua própria genética. Esses fatores de risco atuam causando uma mutação no DNA das células. Esse é um processo lento, estando intimamente relacionado à intensidade e a duração da exposição das células a esses fatores.
Essas células que foram sofrendo mutação ao longo do tempo passam a se comportar de forma anormal e além das características já mencionadas, em geral elas se tornam menos especializadas nas suas funções, então conforme vão proliferando, elas vão substituindo as células normais e assim os tecidos acabam perdendo suas funções.
Esse processo não ocorre tranquilamente. O nosso organismo possui um mecanismo de defesa para que possamos nos proteger contra essas agressões. O sistema imune é essencial para o controle de tumores, sendo capaz de reconhecer e destruir células que estão em processo de transformação (crescimento anormal), ou até mesmo induzir que a própria se destrua, processo denominado apoptose. Além disso, as próprias células afetadas possuem mecanismos de reparo do DNA, para corrigir a mutação e evitar que esse dano se propague.
Portanto o sistema imune pode sim ser capaz de eliminar as células cancerígenas em um momento inicial, mas dependendo dos fatores de risco que o indivíduo é exposto e quais são as células afetadas, o processo pode ser bem mais agressivo, e o tumor aos poucos pode se tornar resistente aos mecanismos de defesa, se camuflando dele, ou até mesmo inibindo algumas células do sistema imune, ou fazendo com que elas percam suas funções.
Visto a importância do sistema imune nesse processo, uma terapia foi proposta visando combater a doença utilizando o próprio sistema de defesa para atacar as células cancerígenas, sendo denominada Imunoterapia. Ela pode agir de maneira passiva ou ativa, de acordo com seu mecanismo de ação e das substâncias utilizadas. No processo ativo é usado um conjunto de estimulantes que visam restaurar a função imunológica, de forma a intensificar a resistência das células ao crescimento tumoral, para voltarem a ser aptas a reconhecê-las e atacá-las. Já a forma passiva oferece ao sistema imune componentes feitos em laboratório procurando proporcionar capacidade imunológica para combater a doença. Outra forma também eficaz se baseia em alterar algumas partes das células tumorais, de forma a diminuir sua agressividade e devolver ao paciente para estimular o sistema imune a combatê-las.
Por ser um método que visa fortalecer o sistema imune estimulando-o a combater as células tumorais, não é um tratamento tão invasivo quando comparado com a quimioterapia, por exemplo, na qual introduz compostos químicos (quimioterápicos) na corrente sanguínea, onde os efeitos colaterais são diversos. O maior risco da Imunoterapia é o tratamento não funcionar, sendo assim outra terapia deve ser estudada tendo em vista o histórico do paciente.
A Imunoterapia evoluiu muito na última década e já faz parte do tratamento de pacientes com câncer, tendo resultados satisfatórios. Novas abordagens para esse tipo de terapia estão em fase de pesquisa, mas prometem bons resultados. E assim, aos poucos a ciência procura fazer de uma doença tão complicada, ser simples de ser curada.

Referências:

  • DECKER, W.K. et al. Cancer Immunotherapy: Historical Perspective of a Clinical Revolution and Emerging Preclinical Animal Models. Immunol.,2017
  • SAIED, A. et al. Immunotherapy for solid tumors-a review for surgeons.Elsevier,2014.
  • http://www.inca.gov.br/
  • http://www.minhavida.com.br/saude/tudo-sobre/30529-imunoterapia-no-tratamento-do-cancer
  • sbctacnpqfaperjcapespetrobrassbm
  • rede de tecnologiafinep 2agencia de inovacaosebraeembrapanpi
  • projeto coralperiodicosCurta Logo Print 2
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