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02 05 microbiologia Novidades birminghamA cidade do Rio de Janeiro sediou a 30ª. Conferência Anual do FAUBAI (Associação Brasileira de Educação Internacional) , no período de 14 a 18 de abril. Esse é o evento mais importante da área internacional das universidades e atrai equipes de gestores de relaçõe internacionais (RI) de diversos paises.

Richard Brunt e a Dr. Erica Arthur, da Universidade de Birmingham, componentes da equipe responsável pela aproximação com o Brasil, estiveram com a profa. Juliana Cortines (coordenadora de RI do IMPG), em reunião informal que contou com a participação do prof. Andrew Macrae (coordenador de Relações Internacionais do CCS), da jornalista Andréa Pestana (coordenadora adjunta de RI/CCS) e da prof. Agnes Marie Sá Figueiredo (coordenadora de Pós-Graduação).

O grupo discutiu sobre as possibilidades de parcerias trazidas pelo Edital CAPES- PrInt e os gestoores de RI de Birmingham pontuaram algumas das áreas de interesse de parceria com o Instituto:

  • Pesquisas sobre o cancêr;
  • Imunologia
  • Biomateriais
  • Óleo e gás

O professor Andrew Macrae ressaltou a necessidade de que cada unidade tenha uma estratégia de mensuração de seu nível de internacionalização e comentou que a política adotada pelo Centro de Ciências da Saúde foi motivar que cada professor tivesse ao menos uma parceria internacional.

Para a diretora do Instituto, profa. Alane Beatriz Vermelho, a Internacionalização é responsável por trazer às unidades “novos ventos” que resultam em inovação e no desenvolvimetno de novas linhas de pesquisa.

A jornalista Andréa Pestana, que atua como coordenadora adjunta de Relações Internacionais do CCS pontuou a necessidade de um alinhamento maior entre as áreas de internacionalização e comunicação.

Confira as fotos do encontro

collage universidade

31 10 microbiologia Novidades

Por Profª. Maria Bellio, Chefe do Departamento de Imunologia, para eLIFE.

Após se diferenciarem no timo a partir de precursores vindos da medula óssea, as células T migram para a periferia e ficam circulando entre os órgãos linfoides secundários. Quando reconhecem os antígenos derivados dos patógenos, através da interação com as células apresentadoras de antígeno, sofrem mais um evento de diferenciação, agora gerando células efetoras ou de memória.  Os linfócitos T CD4+, cuja função é auxiliar outros tipos celulares (T helper ou Th em inglês), podem se diferenciar em Th1, Th2, Th17 ou ainda outros subtipos, cada um deles secretor de um conjunto particular de citocinas. As células Th1, grandes produtoras de interferon gama (IFN-g), são necessárias para uma resposta efetora eficiente contra patógenos intracelulares, tais quais vírus e certos parasitas unicelulares, como o Trypanosoma cruzi, agente etiológico da Doença de Chagas.
Sabe-se que a resposta imunitária inata, induzida pelos patógenos, é capaz de modular a resposta Th, direcionando-a para um ou outro subtipo. Embora nosso conhecimento sobre este fenômeno tenha crescido muito nos últimos anos, ainda há muitos detalhes sobre este processo a serem desvendados. No nosso trabalho recentemente publicado na revista eLIFE, demonstramos que, no modelo murino de infecção pelo T. cruzi, a sinalização via o receptor da interleucina IL-18 (IL-18R), que depende da molécula adaptadora MyD88, é crucial para uma robusta resposta Th1. Mais do que isso, demonstramos que esta sinalização se dá diretamente no linfócito T CD4+ e não de forma indireta, pela ação sobre outros tipos celulares. Para isso, construímos animais quiméricos, através do transplante misto de medula óssea (MO). Assim, foi possível comparar num mesmo animal, linfócitos T que expressam as moléculas IL-18R e MyD88 (que derivam da MO selvagem ou WT) com outros que não as expressam, visto que derivam da MO de animais nocaute (KO) para os genes que as codificam. Verificamos que só as células que expressam IL-18R e MyD88 conseguem se diferenciar plenamente em Th1. 

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Além disso, o experimento de microarranjo de RNA, nos qual fizemos a comparação entre os genes expressos nos linfócitos T CD4+ do tipo WT e nos linfócitos T CD4+ Myd88-KO, ambos purificados de animais quiméricos infectados com o T. cruzi, revelou que conjuntos de genes envolvidos na diferenciação para células de memória, na resistência à apoptose, ou ainda na proliferação celular, estão aumentados nas células T CD4+ do tipo WT, mas não nas T CD4+ Myd88-KO. 

Em suma, nosso trabalho contribui para aumentar o entendimento dos mecanismos necessários para a diferenciação dos linfócitos T CD4+ em células Th1. Esse conhecimento é importante para  o desenvolvimento de vacinas e imunoterápicos que visem a expansão da resposta Th1 em particular.

A Imunologia na UFRJ e no BR

O estudo do sistema imunitário e, principalmente, de suas interações com os demais sistemas do organismo e com a microbiota cresceu muito nos últimos anos. Estes avanços puderam ser alcançados, entre outros, graças à construção de novas linhagens de camundongos, nas quais determinado gene pode ser nocauteado somente em um tipo celular específico. No Brasil, ainda dependemos da importação de qualquer animal transgênico ou nocaute e o bioterismo ainda está muito aquém do ideal na UFRJ, embora indubitavelmente tenhamos melhorado muito. No nosso artigo, sete diferentes linhagens de camundongos foram utilizadas. Infelizmente, a crise que atinge em cheio a ciência brasileira, com os cortes drásticos de verbas, nos faz prever um enorme retrocesso, o qual será inevitável se não houver uma imediata retomada dos investimentos.

Leia o artigo completo aqui.

 


Matéria escrita na disciplina de extensão de integração acadêmica do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia. Creditação da extensão no Instituto de Microbiologia.

Matéria escrita por Fernanda Rei, aluna do 8º período do curso de graduação em Ciências Biológicas: Microbiologia e imunologia.

22 09 microbiologia Novidades

No ano de 1998, o Rio de Janeiro notificou o primeiro caso do que seria a sua epidemia mais longa. Desde então, houve um aumento do número de pessoas com lesões nas camadas profundas da pele. Tratava-se de uma micose (doença causada por fungo) conhecida por esporotricose. O que acometia duas pessoas por ano, passou a acometer, em média, quase setecentas, caracterizando um grande problema para a saúde pública do Estado do Rio.

Embora a doença já fosse conhecida, foi a primeira vez que a esporotricose foi vista como uma zoonose (doença que acomete animais e é transmissível ao humano). Considerada a micose mais comum da América Latina, a esporotricose acomete humanos e animais, causando nódulos e úlceras na pele, sendo os fungos do gênero Sporothrix responsáveis pelo desenvolvimento dessas lesões.

esporotricose

O fungo causador da esporotricose geralmente se espalha pelo sistema linfático do hospedeiro. As feridas que se formam são doloridas e apresentam um aspecto que pode parecer assustador, mas que, em geral, não provoca maiores complicações no indivíduo. Apenas em casos em que o paciente está com alguma deficiência imunológica (HIV positivo, por exemplo), a doença pode comprometer sua vida.

O fungo Sporothrix está presente naturalmente no solo, sendo contraído pelos animais e pessoas a partir do manuseio de terra ou plantas. Embora esta seja a via de transmissão clássica da doença, o aumento considerável dos casos de esporotricose humana, se deu a partir da transmissão zoonótica, quando o fungo é transmitido por mordidas ou arranhaduras de um animal doente. Vale lembrar que o animal também é um refém da doença e, assim como os humanos, precisa do tratamento adequado.

Nesse contexto, os gatos apresentam papel importante na disseminação da doença. Os gatos estão sujeitos a essa doença devido a seus hábitos comportamentais, como o contato com areia contaminada com o fungo e contato ou brigas com outros gatos infectados. Dessa forma, eles se tornam mais suscetíveis à doença do que o restante dos animais. Além disso, a população de felinos aumentou no Estado do Rio, facilitando a disseminação da esporotricose.

Popularmente, a esporotricose também é chamada de “doença do gato” porém os gatos não são os culpados. Existem diversos fatores ainda não esclarecidos sobre o impacto dessa doença nos felinos, mas já é conhecido que, dentre todos os hospedeiros, os gatos são as maiores vítimas do Sporothrix e não são poucos os casos de felinos que vão a óbito pela doença.

A esporotricose tem solução! Sua cura é lenta e requer paciência, mas o tratamento é eficaz. Uma excelente maneira de prevenção da disseminação seria a castração dos animais, pois isso controlaria a população crescente de gatos e diminuiria as brigas entre eles diminuindo, consequentemente, a contaminação de outros animais e humanos. É muito importante cuidar bem de nós mesmos e dos nossos felinos, em casos de esporotricose. Os gatos também são vítimas da doença e precisamos dar uma atenção especial a eles para um controle eficiente dessa epidemia.

Para maiores informações, a FIOCRUZ possui uma unidade com pesquisadores envolvidos no estudo da esporotricose e que disponibilizam um material sobre o assunto para a população. Acesso em FIOCRUZ-Esporotricose.

Referências:

Barros, M. B., Schubach, A. O., Schubach, T. M., Wanke, B., e Lambert-Passos, S. R. (2008). An epidemic of sporotrichosis in Rio de Janeiro, Brazil: epidemiological aspects of a series of cases. Epidemiology & Infection, 136, 1192-1196.

Freitas, D. F. S., Valle, A. C. F. D., Paes, R. D. A., Bastos, F. I. P. M., e Galhardo, M. C. G. (2010). Zoonotic sporotrichosis in Rio de Janeiro, Brazil: a protracted epidemic yet to be curbed.

Foto esporotricose felina: Gremião, I. D., Menezes, R. C., Schubach, T. M., Figueiredo, A. B., Cavalcanti, M. C., e Pereira, S. A. (2015). Feline sporotrichosis: epidemiological and clinical aspects. Medical mycology, 53, 15-21.

Muniz, A. S., e Passos, J. P. (2009). Esporotricose humana: conhecendo e cuidando em enfermagem. Rev. enferm. UERJ, 17, 268-272.

Foto esporotricose humana: MAHAJAN, Vikram K. Sporotrichosis: an overview and therapeutic options. Dermatology research and practice, v. 2014, 2014.

Microscopia Sporothrix: http://thunderhouse4-yuri.blogspot.com.br/2015/05/sporothrix-schenckii-complex-revisited.html

http://sbdrj.org.br/catnoticias/sbdrj-lanca-cartilha-sobre-esporotricose/

https://www.unasus.gov.br/noticia/esporotricose-pesquisadores-esclarecem-sobre-doenca-que-pode-afetar-animais-e-humanos

https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/esporotricose-pesquisadores-esclarecem-sobre-doenca-que-pode-afetar-animais-e-humanos

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