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15 09 Micro Cancer graduacaoPor Rodrigo Graça

Aluno do curso de graduação em Ciências Biológicas Microbiologia e imunologia, 8º período.
Matéria escrita na disciplina de extensão de integração acadêmica do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia. Creditação da extensão no Instituto de Microbiologia.

A microbiota residente tem um papel fundamental no para a manutenção e saúde do organismo. Durante o nascimento, o bebê vem de um ambiente estéril e entra em contato com uma variedade de microrganismos que irão colonizar suas superfícies e desempenhar diversas funções. O contato inicial com essa microbiota estimula o desenvolvimento das funções do trato gastrointestinal, dos movimentos peristálticos, além de auxiliar na degradação de polissacarídeos e a ocupação desse nicho que impede a colonização por microrganismos patogênicos. Mas quando se trata do sistema imune, os microrganismos colonizadores atuam como indutores da maturação de todo o sistema imune, e assim torna-se capaz de reconhecer patógenos e desenvolver uma resposta protetora contra eles, enquanto também adquire uma tolerância ao que ao inócuo, como alimentos e microrganismos comensais.
Dessa forma o contato inicial com microrganismos colonizadores durante o nascimento tem um impacto na saúde do bebê a curto e longo prazo. Vários estudos recentes correlacionam o tipo de parto com a composição da sua microbiota e o perfil do sistema imune. Assim bebês que passam sobre o parto normal tem uma microbiota mais parecida com a mãe, uma vez que nesse tipo de parto o bebê entra em contato com a flora vaginal da mãe. Enquanto o parto por cesariana altera esse contato inicial muda completamente o perfil da microbiota do bebê, pesquisas recentes vêm correlacionando o aumento de doenças autoimunes nas últimas décadas com o aumento de partos por cesariana.
Em contrapartida o sistema imune tem várias formas de manter uma relação simbionte com a microbiota e obter vários benefícios. Essa comunicação permite tornar o sistema imune equilibrado, apresentando a mesma qualidade e quantidade de populações de células do sistema imune de um indivíduo saudável. Porém o uso exagerado de antibióticos, alterações na dieta e até a escolha do tipo de parto podem impactar negativamente nessa comunicação entre o hospedeiro e a sua microbiota. Esses hábitos vêm sendo propostos para explicar a recente elevação no aparecimento de doenças autoimune e doenças inflamatórias nas últimas décadas.
Deste modo, o papel dos microrganismos para a manutenção da saúde vem se estabelecendo cada vez mais, e se tornando um tema de estudo de imensa relevância na comunidade científica.

Referências

  • Belkaid, Y., & Hand, T. (2014). Role of the Microbiota in Immunity and Inflammation. Cell, 157(1), 121-141. doi:10.1016/j.cell.2014.03.011
  • Tamburini, S., Shen, N., Wu, H. C., & Clemente, J. C. (2016). The microbiome in early life: implications for health outcomes. Nature Medicine, 22(7), 713-722. doi:10.1038/nm.4142
  • https://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/31/ciencia/1454272243_960766.html
  • https://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2013/03/04/cesarea-e-falta-de-aleitamento-afetam-flora-intestinal-do-bebe.htm

15 09 Micro Autoimune graduacaoPor Letícia Martimiano

Aluna do curso de graduação em Ciências Biológicas Microbiologia e imunologia, 5º período. Matéria escrita na disciplina de extensão de integração acadêmica do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia. Creditação da extensão no Instituto de Microbiologia.

Câncer é o nome utilizado para se referir a um conjunto de mais de cem doenças que possuem como características comuns o crescimento celular anormal e o potencial de invasão a outras partes do corpo, processo denominado metástase. Por terem esse crescimento desordenado com uma divisão rápida, essas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, levando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas), caracterizando assim, um tumor maligno. Já no caso de um tumor benigno, também há uma hiperproliferação celular, porém elas não possuem a capacidade de invasão, sendo assim, raramente causam risco de vida.
As causas do câncer podem ser tanto externas quanto internas ao organismo, podendo variar muito. Entre elas estão os hábitos e costumes próprios do indivíduo (fumo, drogas), fatores ambientais (exposição excessiva ao sol), além da sua própria genética. Esses fatores de risco atuam causando uma mutação no DNA das células. Esse é um processo lento, estando intimamente relacionado à intensidade e a duração da exposição das células a esses fatores.
Essas células que foram sofrendo mutação ao longo do tempo passam a se comportar de forma anormal e além das características já mencionadas, em geral elas se tornam menos especializadas nas suas funções, então conforme vão proliferando, elas vão substituindo as células normais e assim os tecidos acabam perdendo suas funções.
Esse processo não ocorre tranquilamente. O nosso organismo possui um mecanismo de defesa para que possamos nos proteger contra essas agressões. O sistema imune é essencial para o controle de tumores, sendo capaz de reconhecer e destruir células que estão em processo de transformação (crescimento anormal), ou até mesmo induzir que a própria se destrua, processo denominado apoptose. Além disso, as próprias células afetadas possuem mecanismos de reparo do DNA, para corrigir a mutação e evitar que esse dano se propague.
Portanto o sistema imune pode sim ser capaz de eliminar as células cancerígenas em um momento inicial, mas dependendo dos fatores de risco que o indivíduo é exposto e quais são as células afetadas, o processo pode ser bem mais agressivo, e o tumor aos poucos pode se tornar resistente aos mecanismos de defesa, se camuflando dele, ou até mesmo inibindo algumas células do sistema imune, ou fazendo com que elas percam suas funções.
Visto a importância do sistema imune nesse processo, uma terapia foi proposta visando combater a doença utilizando o próprio sistema de defesa para atacar as células cancerígenas, sendo denominada Imunoterapia. Ela pode agir de maneira passiva ou ativa, de acordo com seu mecanismo de ação e das substâncias utilizadas. No processo ativo é usado um conjunto de estimulantes que visam restaurar a função imunológica, de forma a intensificar a resistência das células ao crescimento tumoral, para voltarem a ser aptas a reconhecê-las e atacá-las. Já a forma passiva oferece ao sistema imune componentes feitos em laboratório procurando proporcionar capacidade imunológica para combater a doença. Outra forma também eficaz se baseia em alterar algumas partes das células tumorais, de forma a diminuir sua agressividade e devolver ao paciente para estimular o sistema imune a combatê-las.
Por ser um método que visa fortalecer o sistema imune estimulando-o a combater as células tumorais, não é um tratamento tão invasivo quando comparado com a quimioterapia, por exemplo, na qual introduz compostos químicos (quimioterápicos) na corrente sanguínea, onde os efeitos colaterais são diversos. O maior risco da Imunoterapia é o tratamento não funcionar, sendo assim outra terapia deve ser estudada tendo em vista o histórico do paciente.
A Imunoterapia evoluiu muito na última década e já faz parte do tratamento de pacientes com câncer, tendo resultados satisfatórios. Novas abordagens para esse tipo de terapia estão em fase de pesquisa, mas prometem bons resultados. E assim, aos poucos a ciência procura fazer de uma doença tão complicada, ser simples de ser curada.

Referências:

  • DECKER, W.K. et al. Cancer Immunotherapy: Historical Perspective of a Clinical Revolution and Emerging Preclinical Animal Models. Immunol.,2017
  • SAIED, A. et al. Immunotherapy for solid tumors-a review for surgeons.Elsevier,2014.
  • http://www.inca.gov.br/
  • http://www.minhavida.com.br/saude/tudo-sobre/30529-imunoterapia-no-tratamento-do-cancer

supergonorreiaPor Isabella Campelo

Matéria escrita na disciplina de extensão de integração acadêmica do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia.

Neisseria gonorrhoeae é o agente etiológico da gonorreia, uma infecção sexualmente transmissível. Segundo o último relatório da Organização Mundial da Saúde, a gonorreia é a segunda IST mais frequente no mundo, com cerca de 106 milhões de novos casos anualmente, sendo assim considerado um grande problema de saúde pública.
A única forma de tratar a gonorreia é através da terapia antimicrobiana. N. gonorrhoeae possui uma grande plasticidade genética. Por isso, nos últimos 80 anos, diferentes classes de antimicrobianos têm sido utilizadas no tratamento, e para todas essas classes o microrganismo desenvolveu diferentes mecanismos de resistência.
A fim de retardar o surgimento de novos mecanismos de resistência, passou-se a utilizar como estratégia a terapia combinada. Em diferentes partes do mundo, o tratamento é feito com azitromicina combinada com ceftriaxona ou ciprofloxacina, no caso do Brasil, ou em dose única em caso de alergia a cefalosporinas (grupo de antimicrobianos que é utilizado no tratamento de infecções bacterianas).
O atual desafio para comunidade científica é a alta eficiência do microrganismo em adquirir novos mecanismos de resistência e a ausência de uma nova perspectiva de tratamento, já que esta combinação de antimicrobiano é a ultima disponível para o tratamento da doença. Além disso, no ano de 2016, casos de N. gonorrhoeae resistente a múltiplos antimicrobianos foram detectados e notificados na Inglaterra, segundo a Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV. Apenas 34 casos foram oficialmente confirmados por testes laboratoriais, mas isso pode ser somente a ponta do iceberg já que essa é uma infecção que pode acontecer de forma assintomática.
No Brasil há poucos dados disponíveis que demonstram o número de novos casos e a resistência deste microrganismo. Sabe-se, porém, que a terapia combinada de ciprofloxacina e azitromicina não deve ser utilizada nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, devido à alta porcentagem de resistência a ciprofloxacina. O que não fica claro é se nos outros estados do país não há cepas circulantes resistentes a ciprofloxacina ou se, simplesmente, não há estudos que demostrem isto.
As autoridades mundiais estão encorajando as pessoas a praticarem sexo seguro, com o uso de preservativos com novos parceiros ou casuais, para minimizar o risco de transmissão. Se a doença não for tratada, pode resultar em diversas complicações e, em casos raros, pode levar a infertilidade ou septicemia. A Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV emitiu um alerta para médicos para que haja acompanhamento dos parceiros sexuais dos casos de alto nível de gonorreia resistente a drogas.
Apesar de toda campanha das agências governamentais de saúde para conscientização da população sobre a importância da prática de sexo seguro, o esperado sucesso não tem sido alcançado e a tendência é, no final das contas, não termos mais nenhuma droga para tratamento da gonorreia.

Referências:
• CDC, 2015
• Ministério da Saúde, 2015
• WHO. Global incidence and prevalence of selected curable sexually transmitted infections – 2008. World Health Organization, 2012.
• GOIRE, N.; LAHRA, M. M.; CHEN, M.; DONAVAM, B.; FOIRLEY, C. K.; GUY, R.; KALDOR, J.; REGAN, D.; WARD, J.; NISSEN, M. D.; SLOOTS, T. P. & WHILEY, D. M. Molecular approaches to enhance surveillance of gonococcal antimicrobial resistance. Nat Rev Microbiol. 12, 223-229, 2014.
https://www.theguardian.com/society/2016/apr/17/gonorrhoea-will-spread-across-uk-doctors-fear
http://www.medicaldaily.com/antibiotic-resistance-superbugs-gonorrhea-treatment-383072
http://www.telegraph.co.uk/news/2016/04/17/super-gonorrhoea-is-spreading-across-britain-and-will-become-unt/
http://www.bbc.com/news/health-36065314

 

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